Ivo Ricardo Abreu Vieira nasceu a 10 de janeiro de 1976, em Machico, na Madeira. Antes de iniciar a carreira como treinador, foi jogador, atuando como defesa e cumprindo praticamente toda a carreira ao serviço do Nacional.
Depois de terminar a carreira de futebolista, Ivo Vieira iniciou o percurso no banco precisamente no Nacional. Ao longo dos anos, orientou vários clubes do futebol português, entre eles o Desportivo das Aves, a Académica, o Estoril e o Moreirense. Foi precisamente em Moreira de Cónegos que conseguiu uma das suas melhores campanhas em Portugal, levando o clube ao sexto lugar da Liga na temporada 2018/19.
Na época seguinte, Ivo Vieira assumiu o comando do Vitória SC. Em Guimarães, realizou 52 jogos e conseguiu 22 vitórias, antes de deixar o clube no final da temporada 2019/20.
Depois do Vitória, o treinador madeirense teve experiências no estrangeiro, passando pelo Al-Wehda, da Arábia Saudita, e pelo Cuiabá, do Brasil, onde conquistou o Campeonato Mato-Grossense em 2023. Pelo meio, orientou também Famalicão e Gil Vicente.
A carreira internacional levou-o ainda à Turquia, onde treinou o Pendikspor. Regressou depois a Portugal para orientar novamente o Marítimo e, mais recentemente, o Tondela, clube que comandou no início da temporada 2025/26.
COMO FOI A TUA PASSAGEM PELO VITÓRIA SC?
“Foi uma passagem muito especial. A exigência do clube e paixão da massa associativa fez com que fosse especial, foi um clube onde gostei de trabalhar.
Lembro-me que a época, em termos de qualidade de jogo, dava gosto de ver o Vitória jogar. Conseguimos fazer uma boa trajetória na Liga Europa onde o clube teve grande visibilidade, conseguimos ir à final four da taça da liga onde fizemos uma figura razoável, e no campeonato podíamos ter feito uma figura melhor, mas por causa do Covid-19, houve uma quebra de ritmo o que fez com que demorássemos a reencontramo-nos.
Pelo aquilo que foi o potenciar dos atletas na minha passagem de uma época pelo Vitória, acabou por ser satisfatória, com a maior venda do clube o Tapsoba; com a revelação do Marcus Edwards, Davidson e João Teixeira. No fundo foi uma época e com grande orgulho da minha parte, num clube que muito respeito, de um clube grande, com muita exigência e apoio dos adeptos.
QUE MOMENTOS MAIS MARCARAM A TUA PASSAGEM PELO VITÓRIA?
“Houve vários momentos que marcou aquilo que foi a nossa época. Houve jogos que conseguimos ganhar a jogar um futebol muito ofensivo, consegui cumprir muitos objetivos e fazer a equipa jogar um futebol atrativo.
Para além do triunfo em Frankfurt (3-2), para além do empate com o Arsenal em Guimarães (1-1), e mesmo a derrota nos Emirates por 3-2, eu acho que foi marcante a passagem do playoff, quando tínhamos alguém do outro lado a dizer que nos cortava a cabeça se não passássemos com um investimento muito grande, e nós conseguimos passar com um golo de penalty de Tapsoba, contra o Steaua Bucareste.
Houve momentos muito marcantes. Nessa época o Vitória era uma equipa temida pelos adversários, tanto em casa como fora, por aquilo que a equipa produzia, e pela ambição que tinha.”
O IVO FOI DIRETO DO MOREIRENSE PARA O VITÓRIA, COMO FOI ESSA MUDANÇA?
“Sai do Moreirense de uma forma natural, cumpri o meu ano de contrato, e posteriormente iria ficar sem trabalho, tanto é que, só entrei no Vitória porque o Luís Castro saiu para o Shakhtar Donetsk. Procurei uma proposta melhor, como todos nesta vida, e como abriu essa vaga no Vitória, o clube entrou em contacto comigo, aceitei de imediato porque era um clube que tinha vontade de treinar.”
O VITÓRIA SOMENTE TEM 1 TRIUNFO EM 6 JOGOS, O MOREIRENSE CONSEUGIU A 2 VITÓRIA NA JORNADA PASSADA. VEM DE MOMENTOS DIFERENTES, UM VITÓRIA COM 4 PONTOS E UM MOREIRENSE COM 7. O QUE PODEMOS ESPERAR PARA ESTE ENCONTRO?
“Tenho um carinho especial por ambos os emblemas. Vai ser um jogo divido, acredito que o Vitória mais cedo tarde se vai reerguer. As pessoas têm de estar todas do mesmo lado, os adeptos têm essa paixão, a cidade abraça o clube. Agora, do outro lado, temos um Moreirense, que é um clube humilde, que luta com todas as suas forças, e que no ano passado fez uma época boa, e que irá dificultar a vida ao Vitória. É um Derby, a vontade, o querer, a proximidade, tudo isso faz com que se reduza as diferenças entre os clubes. Em termos de dimensão, obviamente que o Vitória fala por si, mas em campo vai ser equilibrado.
Espero que seja um jogo bem disputado.”
COMO AVALIA O ARRANQUE DO VITÓRIA? ACHA QUE A PARAGEM PARA AS SELEÇÕES PODE LEVAR O MISTER TIAGO MARGARIDO A ARRISCAR OUTRA TÁTICA OU OUTROS PROTAGONISTAS?
“Tendo visto alguns jogos do Vitória e tenho de respeitar a forma como os miúdos jogam. Quem conhece a forma como o Vitória joga e treina no dia a dia é o treinador porque tem um contacto com os atletas. Eu próprio não acredito nessas fórmulas do 4-2-3-1; 4-3-3; 4-4-2, acho que é apenas um padrão inicial. Eu sou da opinião que o jogo é dinâmico. Lembro me que as pessoas falavam que eu jogava em 4-2-3-1, e muitas vezes estava em 2-4-4, em 4-2-4 e eu acho que os jogadores têm de ter alguma liberdade. Para se ganhar algumas vezes e para atrair pessoas aos estádios temos de correr alguns riscos, e sou um treinador que olha para o jogo assim.
O QUE TORNA O JOGO ESPECIAL UMA VEZ QUE TREINOU AS DUAS EQUIPAS
“Eu conheço bem as duas realidades, a proximidade das gentes de Guimarães e Moreira, inclusive acho que há muita gente em Moreira de Cónegos que tem um carinho pelo Vitória, e vai ter um interesse muito grande da minha parte.
A proximidade, o jogo em si, a rivalidade saudável dos adeptos de uma e outra equipa, o carinho que que os adeptos do Vitória tem pelo Moreirense, que é mútuo, vai ser um espetáculo.
É especial por ter passado pelas duas instituições, e por ter deixado uma marcada, para uns má, para outros razoáveis, obviamente que ganhei muitos amigos e simpatia em Guimarães.”
