Tiago Rafael Maia Silva nasceu a 2 de junho de 1993, em Lisboa. Médio ofensivo, destro e com 1,70 metros de altura.

Tiago Silva iniciou a formação no futebol português, passando pelo Benfica e pelo Belenenses, antes de chegar ao futebol sénior. Representou ainda o Feirense, onde ganhou espaço na principal equipa, seguindo-se uma experiência em Inglaterra, ao serviço do Nottingham Forest.

Na temporada 2019/20, o médio disputou 47 jogos pelo Nottingham Forest, marcou quatro golos e fez quatro assistências. Na época seguinte, rumou à Grécia para representar o Olympiacos, antes de regressar a Portugal.

Em 2021, Tiago Silva chegou ao Vitória SC, onde se tornou uma das peças importantes do meio-campo vimaranense. Ao longo de quatro temporadas, somou mais de 150 jogos oficiais pelo clube, destacando-se pela qualidade de passe, capacidade de organização e chegada à área adversária.

Na época 2023/24, participou em 37 jogos e marcou sete golos. Na temporada seguinte, voltou a registar sete golos, desta vez em 46 partidas, contribuindo para a campanha europeia do Vitória SC e para a presença da equipa nas competições nacionais.

No verão de 2025, deixou Guimarães e rumou ao Qatar para representar o Al-Rayyan onde foi campeão da Taça do Golfo (equivalente à Conference League). Na temporada 2025/26, disputou 25 jogos pelo clube, com dois golos e cinco assistências.

 

COMO É QUE FOI A TUA PASSAGEM PELO VITÓRIA?

“No início não foi o que eu esperava, no primeiro ano, acabei por não ter o impacto que eu esperava.

Mas depois acho que com a saída de alguns jogadores importantes e o facto de eu ter de assumir o protagonismo, acabei por me conseguir destacar um bocadinho mais, e no final de contas acabou por ser muito positivo.”

 

O QUE MAIS TE MARCOU NOS 4 ANOS DE VITÓRIA?

“As pessoas, essencialmente as pessoas. Os jogos, todos eles eu acho que vivi de uma forma muito especial. Todos eles, isto vai parecer clichê, mas era mesmo especial cada vez que entrava em campo.

Mas o mais especial disso tudo eram as pessoas. Na minha opinião, o Vitória é um clube diferente por causa disso mesmo, pela comunidade, pelos adeptos, pelas pessoas que trabalham no clube.

Os vitorianos vivem aquele clube de uma forma diferente e especial. Foram-me transmitindo também muito os valores do que era ser Vitória, e eu acho que é a explicação para ter de lá com esta adoração toda pelo clube e pelas pessoas, porque além de ter sido muito bem tratado enquanto lá estive, criei grandes relações e saí de lá, não só com colegas, mas também com muitos amigos.

Eu acho que o jogo que eu mais gostei de jogar, pelo Vitória, talvez tenha sido o jogo em Betis.”

 

RECUEMOS A 11 DE FEVEREIRO DE 2024. VITÓRIA – BENFICA (2-2), MARCASTE O PRIMEIRO GOLO DO JOGO, E O VITÓRIA ENCAMINHAVA-SE A PASSOS LARGOS PARA O TRIUNFO, MAS O BENFICA EMPATOU NOS ÚLTIMOS MINUTOS.

COMO FOI A SENSAÇÃO DE MARCAR E QUASE GANHAR, PARA EMPATAR O JOGO?

“O sentimento é desilusão, ninguém fica contente, especialmente nesse clube, com um ponto quando estás a ganhar.

Uma coisa era nós dizermos: olha, levámos um sufoco o jogo todo, e acho que o resultado justo era mesmo empate. Não foi o caso, nós fomos bem melhores do que o Benfica nesse jogo, eu lembro-me perfeitamente.

Fomos muito melhores do que o Benfica e o Benfica acabou por marcar no final. Foi uma desilusão para nós, um sentimento um pouco agridoce, porque é a conquista de um ponto, não deixa de ser conquista de um ponto contra uma equipa grande, mas ao mesmo tempo sentimos que perdemos dois porque tínhamos o jogo na nossa mão e merecíamos um bocadinho mais nesse dia.”

 

ACREDITAS QUE ESTA PAUSA PARA AS SELEÇÕES SERVIU PARA TIRAR ALGUMA PRESSÃO QUE OS JOGADORES PODIAM ESTAR A SENTIR POR CAUSA DOS RESULTADOS NÃO TÃO POSITIVOS?

“Sim, eu acho que sim, porque imagina, viveres com o fantasma neste momento…

Pairava no ar sobre a equipa do Vitória de não conseguir meter a bola dentro da baliza, de estar a criar muito e não fazer golo. Pode ser que esse fantasma agora tenha desaparecido com esta pausa, porque é quase como renovar energias, mudar um bocadinho o ar que se respirava, e começar do zero.

O Vitória, neste momento, não tem nada a perder. O Vitória está numa posição que não é nada favorável. Acho que entra com pressão zero e é olhar para o jogo sem pressão.

Como eu disse, entrar com um respirar novo e acreditar que esta má fase, vamos dizer assim, má fase, passou com esta paragem e que as coisas agora vão tomar um novo rumo”

 

O VITÓRIA NÃO GANHA AO BENFICA DESDE A FINAL DE 2013. ACREDITAS QUE PODE SER DESTA? O QUE É QUE ESPERAS PARA O JOGO?

“Sim, eu acredito. Eu não me lembro de ver um Benfica tão forte nos últimos anos, sinceramente.

E vejo os jogos todos da Vitória. E a verdade é que o Benfica está a praticar um futebol muito atrativo, também cria muitas oportunidades, assim como o Vitória, portanto, eu acho que vai ser um jogo bonito de se ver, com muitas oportunidades.

O que pode acontecer é que o Benfica vem de uma derrota com o Porto, pode ter quebrado ali um bocadinho o ciclo de confiança que vinham a ultrapassar, ou não, e sortir o efeito contrário, e o Benfica vir super motivado para o jogo.

Vai ser um jogo muito dividido. Acredito que é um jogo bem jogado, com muitas oportunidades de golpe, mas eu acredito também que o Vitória pode surpreender-se, sinceramente.”

 

DURANTE O MERCADO SURGIRAM ALGUNS RUMORES DE QUE PODIAS ESTAR DE VOLTA AO VITÓRIA. OLHANDO PARA ISSO E PARA A FELICIDADE QUE OS ADEPTOS ESTAVAM A DEMONSTRAR POR UM HIPOTETICO RETORNO O QUE É QUE TENS A DIZER? GOSTAVAS DE VOLTAR AO VITÓRIA?

“Toda a gente sabe que o meu desejo é voltar ao Vitória, isso nunca escondi. Aliás, quando eu saí, não era da minha vontade sair.

Portanto, o meu desejo será voltar ao Vitória um dia, se for também da vontade das pessoas responsáveis do clube e se eu também tiver condições físicas para isso.

Mas eu acompanhei, a verdade é que foi uma possibilidade forte.

Não aconteceu, e posso dizer que não foi por minha culpa, porque as pessoas estavam envolvidas e sabiam muito bem da minha vontade. Mas a verdade é que eu tinha contrato com o Al Rayyan.

O Rayyan também decidiu não facilitar muito as coisas. Percebeu a minha vontade de voltar ao Vitória. As coisas não aconteceram, mas acredito que se tiverem que acontecer, vão acontecer, e é isso.

O Vitória é um clube muito especial para mim mesmo. É um clube que eu gostava de terminar a minha carreira. Não vou só para lá para me fazerem o favor de terminar, vou mesmo para me sentir bem e para acrescentar, porque senão também não quero voltar.”