O Vitória SC não conseguiu revalidar a conquista do Torneio da Póvoa, ao sair derrotado na final frente ao Varzim, após o desempate por grandes penalidades. Depois de um empate a uma bola no final dos 90 minutos, os conquistadores acabaram por ceder na marca dos onze metros, permitindo à formação poveira erguer o troféu.
O desfecho contrasta com o da edição anterior do Torneio da Póvoa. Em 2025, o Vitória também empatou 1-1 no final do tempo regulamentar e precisou das grandes penalidades para conquistar o troféu. Desta vez, contudo, a história escreveu-se de forma diferente e foram os poveiros a sorrir no desempate, deixando os vimaranenses com o segundo lugar da competição.
Por: Renato Rodrigues
O percurso do Vitória SC no Torneio da Póvoa começou com uma vitória frente ao Grupo Desportivo de Chaves, num encontro em que os conquistadores foram crescendo ao longo dos 90 minutos até confirmarem um triunfo por duas bolas a zero. Depois de uma primeira parte equilibrada, em que o conjunto flaviense conseguiu limitar as investidas vimaranenses, a turma de Tiago Margarido regressou do intervalo com outra intensidade e maior capacidade para desmontar a organização defensiva adversária. Alioune Ndoye inaugurou o marcador nos instantes iniciais da segunda parte e, já perto do final, Patrick Ouotro estreou-se a marcar com a camisola do Vitória, selando um resultado que espelhou a superioridade dos vimaranenses na segunda parte.
Com menos de 24 horas de intervalo entre o apito final e o apito inicial dos jogos, Tiago Margarido optou por promover uma revolução total na equipa. Frente ao Varzim, o técnico apresentou um onze completamente diferente daquele que derrotou o Chaves, apostando maioritariamente em reforços e caras novas, numa clara gestão do plantel e numa oportunidade para avaliar todas as opções disponíveis antes do arranque oficial da temporada.
Na final, o Vitória encontrou um Varzim destemido, embalado pelo forte apoio dos seus adeptos, num ambiente que fez lembrar um verdadeiro jogo de campeonato. Apesar de procurar assumir a iniciativa e controlar a posse de bola, a equipa de Tiago Margarido sentiu dificuldades em transformar o maior domínio territorial em oportunidades claras de golo, perante um adversário bem organizado e perigoso nas transições. O conjunto poveiro acabaria por adiantar-se no marcador, obrigando o treinador vimaranense a mexer profundamente na equipa, lançando oito jogadores de uma assentada só, na tentativa de inverter o rumo dos acontecimentos.
Entre os elementos chamados a jogo esteve Thiago Balieiro, que acabaria por assumir um papel decisivo. Já nos instantes finais, o defesa brasileiro apareceu na área para apontar o golo do empate, levando a decisão do vencedor para a marca das grandes penalidades. Apenas para adiar uma derrota que parecia inevitável nos 90 minutos. No desempate de , porém, o protagonismo pertenceu a Momo Mbaye. O guarda-redes do Varzim agigantou-se entre os postes e travou as tentativas de Oumar Camara e do próprio Thiago Balieiro. O brasileiro, que tinha devolvido a esperança aos conquistadores ao cair do pano, acabaria, ironicamente, por falhar o penálti decisivo, entregando o troféu à formação da casa.
Durante estes 2 jogos, o Vitória deixou a ideia de ser uma equipa com uma identidade bem definida. Mesmo mudando os 11 jogadores de um jogo para o outro, procurou sempre construir desde trás, ter bola e assumir a iniciativa. Isso demonstra que Tiago Margarido está a conseguir implementar um modelo de jogo, independentemente das peças utilizadas.
Vários reforços deixaram boas indicações, como Oliver Zych, Patrick Ouotro e Lohan Doucet, assim como Santiago Verdi, que entrou com a braçadeira de capitão na final, enquanto jogadores como Beni Mukendi, Miguel Nogueira confirmaram a importância que podem ter na equipa.
O Torneio da Póvoa não deixou apenas um segundo lugar para o Vitória. Deixou sobretudo a sensação de que há uma ideia de jogo consolidada, um plantel mais rico em soluções e com margem para crescer. Se a eficácia ofensiva acompanhar a qualidade que a equipa já demonstra na construção e organização, os conquistadores poderão apresentar-se como uma das formações mais interessantes da nova temporada.
