Josué Humberto Gonçalves Leal Sá nasceu a 17 de junho de 1992, em Lisboa. Defesa-central, destro e com 1,89 metros de altura.
Josué Sá iniciou a formação no Sporting, antes de chegar ao Vitória SC, onde concluiu o percurso de formação e começou a carreira sénior. Em 2011/12, foi emprestado ao Desportivo de Chaves, da Segunda Liga, onde somou 25 jogos, antes de regressar a Guimarães.
Ao longo da passagem pelo Vitória SC, entre 2012/13 e 2017/18, Josué Sá disputou 110 jogos pela equipa principal, marcou cinco golos e fez uma assistência, e jogou uma final da Taça de Portugal.
Em 2017, transferiu-se para o Anderlecht, da Bélgica, onde permaneceu uma temporada. Seguiram-se empréstimos ao Kasimpasa, da Turquia, e ao Huesca, de Espanha, antes de rumar à Bulgária para representar o Ludogorets Razgrad. No futebol búlgaro, conquistou títulos nacionais e somou 36 jogos em duas temporadas.
Em 2021/22, teve ainda uma passagem pelo Maccabi Tel Aviv, de Israel, antes de regressar a Portugal para representar o Rio Ave. Em Vila do Conde, disputou 44 jogos ao longo de duas épocas, contribuindo para a estabilidade defensiva da equipa. Na temporada 2024/25, representou o Gil Vicente, antes de se mudar para o Lusitânia de Lourosa.
Na época 2025/26, ao serviço do clube de Lourosa, realizou 27 jogos e marcou um golo.
TINHAS 17 ANOS QUANDO CHEGASTE A GUIMARÃES, PROVENIENTE DE LISBOA, NA ALTURA O VITÓRIA SC OFERECEU-TE 50€ POR MÊS PARA FICARES. O QUE TE LEVOU A ACEITAR?
“Foi uma decisão difícil, eu tinha feito a minha formação no Sporting, e chegámos aquela fase em que percebi que não ia evoluir.
O Sporting na altura tinha feito um pacto com o Real Massamá, para lhes emprestar alguns miúdos, para ganhar minutagem e ver como era a evolução, e eu não queria, achava que devia ir para algum projeto que pudesse ajudar no meu crescimento.
Na altura nunca tinha saído de casa, e surgiram oportunidades na Académica e no Vitória. Pela maneira que me foi apresentado, fiquei com a sensação que vinha para o Vitória para ficar, e não à experiência. Eu tinha muito interesse da Académica, o treinador ligava-me constantemente, mas eu sempre quis o Vitória SC.
Vim a Guimarães convencido que ia ficar, foi uma semana a fazer treinos, mas afinal era captações, mas eu não sabia. No final acabaram por dizer que tinham interesse em que eu ficasse, mas que estava a ser testado, e acabei por ficar alojado nos “padres”, no Seminário do Verbo Divino.
Disseram-me então que ia ficar, e ia receber 50€ para ficar. Eu estava a receber contratos de formação da Académica, não ia receber muito mais, mas ia ter um contrato de formação, no Vitória SC não, mas depois de sentir o clube, de perspetivar o futuro e ter um bom felling do bom futuro que ali podia ter, senti que devia ficar, mesmo sabendo que era uma proposta que não era melhor que as outras em nada. Ia receber menos, ia estar mais longe da família. Mas pronto acabou por correr bem.”
COMO FOI A TUA PASSAGEM PELO VITÓRIA ENQUANTO PROFISSIONAL
“Foi talvez a passagem mais bonita da carreira, todas elas foram bonitas, mas no Vitória foi o clube onde ascendi a profissional.
Foi onde eu aprendi tudo, eu vinha de Lisboa com alguns vícios do Sporting, de jogar melhor, não tinha aquele ranho no nariz, era mais a qualidade de jogo, e o Vitória ensinou-me isso, o que é a raça, o querer mais que tudo o resto. Por vezes é essa raça e esse querer que leva a equipa para a frente, ganhar jogos. Aprendi que é possível alcançar coisas não só com a qualidade. O Sporting ensinou-me tudo o que é ser técnico, mas isso não chega, e o Vitória ensinou-me isso.
Estive sete anos no Vitória SC, desde a minha formação até à equipa profissional. Foi um clube que me deu as bases para fazer a carreira que fiz pois, mesmo jogando em vários países, levei a resiliência que aprendi no Vitória Sc.”
QUANDO OLHAS PARA A TUA PASSAGEM PELO VITÓRIA, O QUE É QUE GUARDAS COM MAIS CARINHO?
“Lembro-me de noites inesquecíveis no Afonso Henriques, de estar a perder 3-0 com o Sporting, e empatar 3-3, e só não virar o jogo porque porque… Lembro-me da final da Taça de 2017, apesar de termos perdido, o caminho em si foi espetacular, e mesmo a experiencia no Jamor foi incrível. Lembro-me de ganhar ao Braga na pedreira, marquei nesse jogo e foi um sentimento incrível. Lembro-me de ganhar 3-0 ao Sporting em casa, no Afonso Henriques, em 2014/15.
Tenho muitas memórias incríveis, de uma simbiose incrível, entre os adeptos e os jogadores. É isso que nós jogadores guardamos e nos lembramos depois, são momentos tão intensos, que quando puxamos a cassete atrás vamos sempre buscar.
Tenho ido ver jogos e sinto saudades do ambiente.
Já joguei nos campos do Bayern de Munique e do PSG, e muitos sítios, mas nunca senti um ambiente como aquele, uma conexão da bancada com o público. Há outros estádios igualmente fervorosos, mas não sei explicar, parece que o estádio em Guimarães tem uma eletricidade diferente.”
QUE IMPRESSÃO TENS TIDO DO VITÓRIA NESTE INICIO DE TEMPORADA?
“O futebol não tem sido muito justo com o Vitória, há momentos assim, momentos em que se produz e não se concretiza, e já houve jogos claramente assim.
Claro é tudo uma bola de neve, quando os resultados não aparecem, a ansiedade começa a crescer, e depois parece que tudo está mal.
Num clube como o Vitória, um jogo sem ganhar, são muitos jogos sem ganhar. Mas acho que a equipa está num processo, houve uma profunda renovação, mas acredito que o resultado do último jogo possa ter dado o click que era necessário para estabilizar os resultados.”
O ÚLTIMO JOGO PODE SER UM PONTO DE VIRAGEM?
“Acredito, os resultados estão muitas vezes ligados à confiança dos jogadores, à forma como se aborda o próximo jogo, e o Vitória aborda sempre para ganhar, e os jogos anteriores não estando presentes, o jogo anterior volta sempre para o jogo seguinte, é a pressão do jogo.
É um grupo jovem, um grupo novo, acredito que não estivessem a lidar bem com isso.
Acredito que este resultado trouxe tranquilidade, não por ganhares 5-0, mas por ter sido um jogo onde realmente jogaram bem, um jogo que dominaram de inicio ao fim, isso pode trazer um Vitória mais estável.”
ESTA BOA FASE DO GIL VICENTE PODE DIFICULTAR A VIDA AO VITÓRIA, OU O HISTÓRICO PODE PESAR NO JOGO?
“Eu acho que o histórico nunca pesa, todos os jogos são jogos diferentes. É um jogo de futebol novo, momentos de equipa totalmente diferentes, o Gil Vicente ao contrário do Vitória, antes do jogo contra o Marítimo, vive uma fase de estabilidade, e isso às vezes favorece.
É um jogo difícil para o Vitória, porque o Gil joga bem, é um clube com boas equipas, e acho que é um jogo difícil, mas claro, é um jogo de tripla, pode dar para qualquer lado, porque são duas equipas fortes com valores individuais, olho para as duas equipas como duas equipas fortes do nosso campeonato.”
O BOICOTE DAS CLAQUES DO VITÓRIA VAI-SE FAZER SENTIR DURANTE O JOGO?
“A claque do Vitória faz sempre falta a apoiar o clube, é um dos trunfos do Vitória, os adeptos estão sempre presentes. Tenho pena que sejam por estes motivos, porque o futebol é dos adeptos, e mesmo para os jogadores, o mais bonito é o ambiente que se vive lá fora. Com um bom ambiente tudo se torna mais fácil e ajuda a que o espetáculo seja melhor.
O futebol é dos adeptos, é com muita pena minha que vejo que os adeptos não vão ao jogo, até porque os adeptos dão protagonistas do jogo.”
