A Coligação Democrática Unitária (CDU) manifestou desacordo com a nomeação de Paulo Portas para coordenar o Comissariado Nacional dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, considerando a escolha “um mau indício”.
Em comunicado, a coligação recorda que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu tratar-se de “uma personalidade ‘consensual'”, com “características do ponto de vista da sua intervenção cívica e política, como jornalista, como pensador, como jurista também, como político”.
A CDU discorda frontalmente dessa leitura e acusa o Governo e os partidos da AD de instrumentalizarem a efeméride, lamentando que “a evocação de um acontecimento tão importante no percurso para a constituição de Portugal seja objecto de uma evidente tentativa de aproveitamento político e partidário por parte do Governo e dos partidos que constituem a AD, que se manifesta nos sucessivos anúncios e na escolha do coordenador da comissão”.
No mesmo documento, a coligação é taxativa quanto aos critérios seguidos: “A nomeação do Paulo Portas não corresponde a um critério académico. Seguramente não é uma personalidade ‘consensual’, a nenhum nível. Não tem qualquer relação com Guimarães e as suas gentes. E não garante a realização de um trabalho historiográfico e científico sério”.
A CDU faz ainda questão de recordar o percurso do escolhido — “foi presidente do CDS/PP, deputado, ministro e vice primeiro-ministro” — sublinhando que, nesses cargos, “defendeu posições claramente contrárias aos interesses nacionais e contribuiu para a perda de parcelas da soberania nacional”, algo que ficou visível, argumenta a coligação, na forma como justificou “o pacto de agressão das troikas nacional (PS, PSD e CDS) e estrangeira (UE, BCE e FMI)”.
Para a CDU, a escolha “despromove deliberada e intencionalmente Guimarães, onde existem personalidades e instituições competentes que foram desconsideradas no processo”.
Os eleitos da coligação na Assembleia Municipal de Guimarães garantem que vão levar o assunto aos órgãos municipais.
