Ontem foi dia de eclipse solar…e o sol até se pode ter escondido…mas nós não escondemos tudo o que fomos descobrindo sobre esse fenómeno.
É verdade: ontem acabamos por pesquisar mais coisas sobre o eclipse solar…e deparamo-nos com umas curiosidades que queremos partilhar com os nossos ouvintes.
Uma das poucas coisas absolutamente estáveis na vida humana é a previsibilidade do nascer e do pôr do sol. Se a nossa estrela, de repente, apaga, precisamos de uma explicação – e as sociedades do mundo todo criaram algumas mitologias extremamente criativas para explicar essa história.
Da mitologia nórdica às crenças tailandesas, grande parte das sociedades explica os eclipses como o Sol servindo de alimento para alguma criatura.
Para os vikings, um par de lobos ficava a perseguir o Sol e a Lua no céu. Cada vez que davam uma mordidinha, vinha um eclipse. No Vietnã, o devorador de astros era um sapo gigante. Na China, um dragão. Na Coreia, são cachorros, que só querem roubar o Sol para brincar com ele um pouquinho.
Essa ideia de um Sol engolido mostra o medo de que o astro não voltasse nunca mais. E para evitar essa tragédia, esses diferentes povos gritavam e batiam em utensílios para tentar assustar o monstro que queria acabar com o Sol.
As superstições sobre eclipses chegaram a moldar a política. Eclipses solares foram associados, da China à Inglaterra, com o destino da realeza. Eram, geralmente, um sinal de raiva dos deuses com o imperador. Por isso, para eles, era tão importante prever com cuidado quando esses fenômenos aconteceriam. Um monarca chinês teria chegado a assassinar uma série de astrólogos por não ter acertado a data de um eclipse.
Na Babilônia, eles eram mais práticos: antes do eclipse chegar, coroavam “reis substitutos”, que sentavam no trono para encarar a ira dos deuses até o Sol retornar.
No México e em outras regiões da América Latina, há quem peça para as grávidas fecharem as portas e as janelas durante um eclipse.
Isso porque o fenômeno emitiria ‘”raios” que causam malformações no bebê, especialmente na boca. Entre as simpatias, está vestir roupa íntima vermelha e não manusear objetos cortantes enquanto o eclipse acontece.
Se a crendice da gravidez parece estranha, na Índia a insegurança com eclipses é mais disseminada – e mais ampla. A tradição afirma que, se os raios do Sol não tocam a terra, os micróbios espalham-se mais rápido. Por isso, é melhor deitar fora toda a comida que já está pronta no momento do eclipse, que entraria em putrefação acelerada. Alguns gurus recomendam jejum total, porque o funcionamento do corpo ficaria confuso com a falta da referência do Sol. Para finalizar, um banho em água corrente depois que a Lua for embora ajuda a tirar a “nhaca” do eclipse.
Mas nem todas as culturas demonizam os eclipses. Uma tribo de Togo e Benin, os Batammaliba, acreditam que o eclipse é uma época de fazer as pazes. O Sol e a Lua estariam próximos porque estariam a agredir-se…e a única maneira de os fazer parar era resolver os conflitos na Terra.
Já no Tahiti o fenómeno ganha uma cara romântica. Isso porque o eclipse seria uma sessão de amor entre o Sol e a Lua.
