Há expressões que usamos diariamente e que, honestamente, já nem nos lembramos como, quando ou com quem as aprendemos. Parece que nasceram já connosco. Mas a verdade é que têm uma origem, como é óbvio. Hoje fomos descobrir isso!

  1. Jurar a Pés Juntos. Esta expressão surgiu devido às torturas executadas pela Santa Inquisição, onde o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer a verdade (ou a mentira, claro, se a tortura parasse). Atualmente, no início de um depoimento numa audiência de discussão e julgamento, ainda se jura dizer a verdade e só a verdade. Mas não é preciso ter os pés juntos.

  2. Tirar o cavalinho da chuva. A expressão remonta ao século XIX. Nessa altura, quando uma visita iria ser breve, deixava o cavalo em frente à casa do anfitrião. Já se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, protegendo o animal da chuva (e do sol, vá). No entanto, o convidado só poderia proteger o cavalo da chuva se o anfitrião gostasse da visita e lhe dissesse: “Pode tirar o cavalo da chuva”.

  3. Favas Contadas. Ao que se pode apurar, a expressão é muito antiga e surge da forma como era feita a eleição do abade em muitos mosteiros medievais. Nessa altura utilizavam-se favas de cor preta e favas de cor branca, que eram distribuídas pelos votantes. No ato de votação cada votante depositava uma das favas numa bolsa sendo que, na contagem dos votos, as favas brancas significavam um sim e as favas pretas um não. Assim, quem tivesse o maior número de favas brancas estava eleito.

  4. Maria vai com as outras. Ouvimo-la quando alguém quer dizer que aquela pessoa não tem opinião própria, não tem vontades ou sente dificuldades em tomar decisões. Esta expressão surge associada a Dona Maria I, rainha de Portugal, mãe de D. João VI, popularmente conhecida como “A Louca”. Dona Maria I tinha sérios problemas mentais que a impediam de governar, por isso foi afastada do trono e passou a viver praticamente privada da sua liberdade, só saindo para caminhar com as suas damas de companhia: Era a Maria que ia com as outras! E que, coitada, não tinha poder algum sobre nada da sua vida.

  5. Coisas do arco-da-velha. É uma expressão usada para nos referirmos a coisas inacreditáveis, absurdas ou inverosímeis, e pensa-se que tem origem no antigo testamento, podendo ser uma simplificação de Arco da Lei Velha, uma referência à lei divina. Mas algumas histórias populares dizem que a origem da expressão se deve à existência de uma velha no arco-íris, sendo que a curvatura do arco é a curvatura das costas, provocada pela velhice.

  6. Olha o passarinho! Quando a fotografia foi inventada, a impressão da imagem no filme não se dava com a mesma rapidez dos dias atuais. Na metade do século 19, os fotografados tinham de permanecer parados por até 15 minutos, a fim de que sua imagem fosse impressa dentro da máquina. Fazer as crianças ficarem imóveis por tanto tempo era um verdadeiro desafio. Por isso, gaiolas com pássaros ficavam penduradas atrás dos fotógrafos, o que chamava a atenção dos pequenos. Assim, a expressão “Olha o passarinho” ficou conhecida como a frase dita pelo fotógrafo na hora da pose para a foto.

  7. Dor de cotovelo. Ter dor de cotovelo significa ter inveja. A origem da expressão está associada à cotovelada, que passou a ser utilizada como um sinal para chamar a atenção de alguém sobre algo que se pretendia censurar ou ridicularizar. Assim, tocava-se com o cotovelo noutra pessoa para ela reparar nisso. Muitas vezes essa censura resultava de inveja; se alguém dava muitas cotoveladas, era natural que lhe doesse o cotovelo.

  8. Pensar na morte da bezerra. A história mais aceitável para explicar a origem da expressão é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Conta-se que certa vez um rei resolveu sacrificar uma bezerra e que seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, opôs-se. Independentemente disso, a bezerra foi oferecida aos céus e afirma-se que o miúdo passou o resto da sua vida a pensar na morte da bezerra. Assim, estar “a pensar na morte da bezerra” significa estar distante, pensativo, alheio a tudo.