Guimarães continua a dançar ao ritmo do GUIdance
13 de Fevereiro, 2014
A segunda semana de espectáculos do GUIdance arranca com a estreia absoluta de “Hale”, dos criadores Aleksandra Osowicz, Filipe Pereira, Helena Ramírez, Inês Campos e Matthieu Ehrlacher.
“Hale” é um encontro entre cinco criadores, 23kg de plástico e 1710W de potência de ventiladores.
O seu corpo coletivo em transformação constante, que vive e respira, é uma dança onde a coreografia se manifesta em arquitetura plástica. O que à partida é matéria inanimada ganha vida num encontro entre o naturalmente artificial e o artificialmente orgânico. Por isso, os autores chamam-lhe “estudo para um organismo artificial”. O espetáculo é apresentado esta quinta-feira, 13 de fevereiro, às 19h30, na Plataforma das Artes e da Criatividade, mantendo assim a dinâmica programática que marca o Festival deste ano.
À noite, às 22h00, já no palco do Centro Cultural Vila Flor, é a vez de Tiago Guedes apresentar “Hoje”, um exercício de reflexão do presente, do que somos e do que nos move, refletindo como nos devemos comportar perante a realidade que hoje é apenas um passado abandonado. Como ponto de partida, um grupo de bailarinos pisa um chão incerto. Um chão que é transformado pelo peso que exercem sobre ele e que, por sua vez, os condiciona. Perante a incerteza, a ação coletiva é transformadora. O “espaço público” que se desvela no palco não pode ser simples espaço contratual, apologista do presente, antes cooperação e cumprimento com os demais.
No dia seguinte (14 de fevereiro), às 19h30, Teresa Silva e Filipe Pereira mostram “O que fica do que passa”, uma sensação que nunca será algo de novo materializável.
Um espetáculo que evoca o lugar da memória, que se manifesta como projeção das nossas imagens. Funciona através de uma dança feita de impressões momentâneas, através de um corpo de luz que se materializa com objetos simples e artesanais, através de materiais que se dão a ver como seres orgânicos ou fenómenos naturais, através de uma boca que se abre lentamente e que reconfigura a cada segundo a expressão de um rosto. Provavelmente naquilo que vemos, e nesses momentos ínfimos, estamos a ver-nos a nós próprios. Talvez a aventura aqui, seja só sentir. Dar-se a possibilidade de ter, por momentos, um olho que sente.
Mais tarde, às 22h00, é apresentada mais uma estreia nacional, “Grind”, uma criação de Jefta van Dinther, Minna Tiikkainen e David Kiers. “Grind” é um termo industrial que entra na cultura popular através da música e da dança. De corte do metal por fricção lenta, passa a movimento, sexualizado, com raízes na Lambada e no perreo caribenho de finais dos anos 1990. Uma dança doggy style. Tem origem na contestação, na provocação, na rejeição das normas sociais. Provém dos movimentos tabu. Do hardcore da música Punk. É o grunge dos 80. “Grind” oferece esse ambiente pós-industrial, esse espaço onde corpo, luz e som criam ligações que perturbam. Jogo espacial, tátil, de fortes reações físicas. Intensidade, dobras e ondas.
No sábado (15 de fevereiro), “Abstand”, de Luís Marrafa (19h30), e “Paraíso - colecção privada”, de Marlene Monteiro Freitas (22h00), encerram o GUIdance 2014. “Abstand” é um espetáculo que interroga: qual a distância certa entre as pessoas? Metros, milímetros? A resposta é frágil. Mede-se em distância indiferente, de segurança, multiplicada por um fator, porque há espaços que teimamos em não deixar encolher. “Abstand” é, por isso, uma distância. Uma distância que coloca o duo em diálogo gestual constante, em interações rápidas, cheias de vigor. Uma distância que nos questiona. É nas grandes metrópoles que mais nos sentimos claustrofóbicos. E há metrópoles em cada um de nós. Será fuga? Será defesa?
Cabe a Marlene Monteiro Freitas encerrar com chave de ouro a 4ª edição do GUIdance. “Paraíso - colecção privada” é uma performance de grande intensidade musical e plástica, que oscila entre a música de inspiração sacra e a articulação de movimentos mecanizados, a música eletrónica e a poliformia. O palco é um playground onde se praticam artes de feitiçaria, onde se revisita Bosch, Van Eyck, Bacon, e espaço para cinco bailarinos: quatro homens e uma mulher. Paralelamente aos espetáculos, o GUIdance inclui ainda espaços de debate em torno da temática da dança.
A conferência que acontece no último dia do festival (às 17h00, na Plataforma das Artes) tem como mote “O Corpo e a Arte na Era Digital” e contará com os convidados Paulo Cunha e Silva, José Bragança de Miranda e Tiago Guedes, sendo moderados por Daniel Tércio.
Informação em destaque
“Livre com um Livro” na PAC
23 de Abril, 2017
Brigada Verde apresentada em Brito
23 de Abril, 2017
CVE: Juntas de Freguesia assinam Declaração de Consenso
22 de Abril, 2017
Recital de Flauta e Piano no Paço dos Duques
23 de Abril, 2017
PS: Manuel Fernandes recandidata-se à UF de Conde e Gandarela
23 de Abril, 2017
Romarias em Gominhães, Creixomil e Pevidém
23 de Abril, 2017
Publicidade